Sinopse: Durante quinze meses, Sebastian Junger acompanhou um pelotão de infantaria do Exército dos Estados Unidos baseado numa remota área do leste do Afeganistão. A intenção era ao mesmo tempo simples e ambiciosa: transmitir a experiência dos que lutam em um campo de batalha, contar como se sente quem participa de uma guerra.Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 272
Autor: Sebastian Junger
Nota: 5/5
Esse é um livro diferente dos que costumo resenhar aqui no blog, mas não pensei duas vezes antes de aceitar da Intrínseca. Todos já estão cansados de saber da guerra que acontece no Afeganistão, onde as tropas americanas estão situadas, mas uma coisa é a gente ver uma matéria no jornal, a outra é ler, com detalhes, o dia-a-dia da guerra contado por quem realmente esteve lá, do lado dos principais elementos dela: Os soldados americanos.
Sebastian Junger, escritor e jornalista, ficou durante quinze meses no Vale do Korengal, ou KOL, vivenciado o que realmente é estar no meio de uma Guerra.
Um grande diferencial do livro para outros relatos sobre o mesmo assunto é que o foco não é na batalha em si: é nas pessoas que participam dela. Como eles foram parar ali, o motivo deles arriscarem sua vida todo dia, o que elas ganham com isso, a dor e a loucura, e, principalmente, a tensão de não saber se voltarão para casa.
É muito interessante conhecer cada soldado e saber suas motivações e seus medos. É triste quando algum deles morre, porque não é apenas um livro de ficção. É algo que realmente ocorreu. Aquele pessoa existia no mundo, lutou pelo seu país e morreu. Eis a grande diferença de um livro de ficção para um livro verídico: É tudo mais intenso. Não são só mais meros personagens por quem nos apaixonamos ou odiamos. São pessoas que tem ideais e fizeram o caminho que julgaram ser mais certo para sua vida.
Sebastian, em momento algum, pretende fazer um relato aprovando ou desprovando a guerra, apenas a mostra tal como ela é, sem esconder ou modificar nada. É uma leitura mais difícil, principalmente pelos termos mais técnicos de armamentos, bases do exército e coisas do tipo, mas vale extremamente a pena. Não só te deixa com outros olhos, como expande sua mente. Eu mesma, costumava nutrir um ódio por soldados americanos, mas depois de ler o livro, penso duas vezes, porque eu tive uma pequena noção do que eles passam. Horas sem alimento, dias sem banho, mais dias ainda sem dormir, tudo por um objetivo maior. Sem falar na morte mais perto a cada dia.
É bom de vez em quando sairmos da rotina YA - ROMANCE - ROMANCE SOBRENATURAL - YA DISTÓPICO e lermos algo sobre o nosso mundo e nossa sociedade. Não quero dar lição de moral, nem dizer o que cada um tem que ler, é só uma dica!
O livro é dividido em três partes, Medo, Matança e Amor, cada uma com um certo enfoque, mas sempre focando nos soldados e sua relação com a Guerra. Marquei milhares de quotes, mas separei alguns aqui para dar um gostinho a vocês do que esperar:
"O cozinheiro da base começou a conversar com um fantoche de dedo, para aliviar a tensão, mas isso irritou de tal maneira os outros homens que um deles finalmente destruiu o brinquedo."
"Depois de dois meses de ação no Korengal, Hunter saiu-se com a frase: "Dane-se o vale", que rapidamente se tornou uma espécie de lema oficial da companhia. Parecia uma expressão abreviada, não do sentimento dos homens a respeito da guerra - complicado demais para ser resumido em três palavras -, mas do que achavam que a guerra fazia com eles: matar os amigos, levá-los a acordar no meio da noite sobressaltados, em pânico, tirar-lhes as namoradas e desperdiçar um ano."
"Quando a missão terminou, metade da companhia Battle estavam supostamente, em tratamento psiquiátrico com remédios."
"Quando Steiner chegou em casa de licença, instruiu a mãe a só acordá-lo tocando-lhe o tornozelo e chamando-o pelo último nome, Assim ele era acordado para fazer seu turno de guarda; qualquer outras coisa significava que estavam sendo atacados."
"Os americanos controem estradas, e por isso os perdoaremos."
"Foi rapidamente atingido por um RPG e espatifou-se nas cristas altas do Abas Ghar. Todos os homens a bordo morreram na queda, mas contam que os combatentes de Shag meteram duas balas na cabeça de cada soldado americano, para não deixar dúvida."
"Em julho, o sargento Padilla prepara bifes com requeijão para os homens na base de apoio de fogos em Phoenix e acaba de gritar "Venham pegar o seu, antes que eu seja morto" quando um RPG entra voando pela base e lhe arranca o braço."
"Certa vez, quando me apoiava em sacos de areia, levei um susto ao sentir um torrão de terra atingir meu rosto. Aquilo não fez sentido até um segundo depois, quando ouvi tiros. A que distância passara aquela bala? Quinze centímetro? Trinta?"
O material do livro/relato também originou um documentário, chamado Restrepo (no livro é explicado o motivo), que foi um dos indicados ao Oscar. Não vejo a hora de assistir, apesar de já estar me preparando psicologicamente!



11 comentários:
ADORO livros contemporaneos assim, com esse feeling de biografia, mas sem ficar academico. Só não consegui isso pq dormi no ponto =/ Muito legal tua resenha Nat.
Oi, Nat!
Gosto de livros verídicos. Nunca li nada assim, relato mesmo, mas gosto de livros de segundo guerra, então conta né? Vou colocar na listinha!
Eu tenho curiosidade para saber o que se passa nos bastidores... o que os soldados americanos passam de verdade e não aquilo narrado na televisão. Deve ser mesmo interessante e difícil de imaginar uma vida dura de alguém que serve o seu país, esperando a cada minuto que nada ruim aconteça com ele.
Beijos
Ainda anão tinha ouvido falar desse livro
Mas agora, que li sua resenha fiquei com muita vontade de ler
Eu amo ler livros sobre a 2° guerra mundial
Mas é bom saber de algo que se passa agora, na nossa época
Vou colocar na minha lista
Beijos
Gostei da dica. Realmente às vezes temos que ler algo mais palpável, ampliar nossos horizontes :D
Beijos,
Lari - www.leiturasedevaneios.com.br
Passei pela livraria semana passada e esse livro me chamou a atneção, fiquei pensando se comprava ou não. Acabei não comprando e ao ler a sua resenha me arrependendo MUITO.
Eu adoro livros que tratam da realidade, e esse pelo jeito deve ser bom emsmo. Vou ver se compro! :D
Beijos
Will - www.viciodecultura.blogspot.com
Adoro livros com essa temática, meio biográficos, como a Carol falou. Muito boa sua resenha, Nat! :)
Beijos.
@mariaclarabruno
www.coffeesandbooks.com
Concordo com você! Temos que variar a leitura, para nos agregar valores. Senão ficamos alienados, rs. Beijão
Fiquei impressionada com sua resenha! Esse livro deve ser muito bom, e realmente temos que variar um pouco o tema dos livros!
Fiquei com muita vontade de ler ;)
Obrigada pela visita e pelo comentário!
Tem post novo no blog: Resenha - O Arquiteto do Esquecimento
Participe da nova promoção do blog! http://migre.me/59th6
Passa lá :)
Beijos, Nath
@brgnat
Books In Wonderland - http://booksinwonderland.com
Como você disse, parece ser um bom livro sair da rotina. Me interessei, mas estou tão atrasada com as minhas leituras que vai demorar para lê-lo haha.
Beijos
Bianca - epilogosefinais.co.cc
Ai, Nat, que bom ler essa resenha. To de olho nesse livro há algumas semanas, sempre paquero ele na Saraiva HAHAHA
Bom, agora com certeza irei comprá-lo!
Beijos xx
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